My Carrie Bradshaw Column


50 Minutos nova peça em cartaz de Carol Zoccoli: Analyse this

Quando vocês acharam que ela sumiu depois da empreitada pelo Oitavo Elemento, estão bem enganados.

Carol Zoccoli, reconhecida stand up comedian, mas acima de tudo uma atriz de múltiplas facetas, tem vindo com tudo:

Carol no Humor da Caneca do Jô Soares.

Carol no Pânico na Jovem Pan

Mas ela está em busca de desafios ainda maiores (sem brincadeirinhas =P). Carol Zoccoli agora estréia dia 4 de novembro, peça de sua própria autoria e com direção de Nany People.

50 minutos 50 minutos 1

Agora, parafraseando minha diva Madonna: SIGMUND FREUD, ANALYSE THIS!

Uma breve sinopse de 50 minutos:

“Hmmm… Fale-me mais sobre isso”. Não era Freud que costumava lamentar-se por nenhum de seus tratamentos parecer ter dado certo? Imagine-se então como deve se sentir uma analista a quem a sorte reservou uma paciente abandonada pelo namorado e viciada em bolachas recheadas… Venha para o Teatro Commune ver duas mulheres (Andéa Barretto e Carol Zoccoli) à beira de um ataque de nervos e presenciar diálogos que nem Lacan levaria a sério.

Para tentar compreender a mente humana, os psiquiatras levam muitos anos de estudos a sério. E entender o mínimo do mundo feminino é necessário algo além dos livros e teorias, principalmente quando estão envolvidos os sentimentos. Baseado neste confuso universo, a comédia 50 Minutos, que estreia 4 de novembro às 21h30 no Teatro Commune, supera uma simples consulta médica. Com direção de Nany People e texto de Carol Zoccoli, 50 Minutos mostra que a medicina ainda está longe de dar um aval psicológico universal sobre os seres humanos.

A peça aborda, com muito humor, o diálogo entre a psiquiatra (interpretada por Andrea Barreto, atriz e humorista) e sua paciente um tanto quanto problemática (interpretada por Carol Zoccoli, humorista e finalista do concurso 8º elemento CQC), a qual foi abandonada pelo namorado e é viciada em bolachas recheadas. O texto atemporal se aproxima do formato “teatro do absurdo”. O despropósito dos argumentos da médica durante 50 minutos de consulta faz surgir algumas dúvidas sobre qual sanidade mental está em questão.

Após uma fase de grandes transformações, Carol traz um texto sobre a relação analítica, e com toque de humor. Seria esse um “ato falho”?

Para que vocês se familiarizem com o tema, uma breve introdução sobre Psicanálise e sobre a visão de Freud e o Humor.

Sigmundo Freud, o grande fundador da Psicanálise a descreve como um procedimento de investigação de processos mentais inacessíveis de forma consciente, e que através dessa investigação podemos tratar distúrbios neuróticos. Ela se baseia nas associações livres do paciente que são interpretadas por seu analista em sessões de 50 minutos (e aí o nome da peça), procurando evidências inconscientes de suas suas palavras, ações e das suas fantasias. O objetivo do psicanalista é auxiliar o paciente a trazer esses elementos inconscientes que estão emperrando seu melhor desenvolvimento, para a consciência, derrubando suas defesas mentais permeadas de fantasias para a realidade.

Ainda aprofundemos um pouco mais em Freud e seus artigos: O Chiste e sua Relação com o Inconsciente e depois com O Humor. Neles, Freud alega que o Humor surge para substituir afetos dolorosos, aos quais se opõe. Seria um mecanismo de defesa, no qual realizamos uma economia de sentimentos dolorosos, deslocando essa energia desprazeirosa em prazer. E então é possível se entender a atitude humorística. O espectador procura se  identificar com os sentimentos do humorista, se colocando em seu lugar e esperando que os sentimentos do humorista sejam os mesmos por ele sentidos. Entretanto, o humorista não expressa a emoção esperada pelo interlocutor, mas faz uma pilhéria. Esse poupar de afeto aversivo se transforma no prazer humorístico.

O Humor enfim tem algo de triunfo do Eu (o indivíduo e seu aparelho psíquico) sob a adversidade. Ela rejeita a realidade penosa e impõe o Princípio do Prazer, como um processo que o aparelho psiquico cria para afastar as opressões que caracterizam doença. Como fazer isso de forma saudável? Rindo de si mesmo, o humorista provoca no interlocutor, a banalização de sofrimentos superestimados, tal qual o pai que sorri de um sofrimento superestimado do filho. Seria o inflar do super Eu, protegendo e consolando um Eu fragilizado. Freud encerra afirmando que o Humor não é para todos: esse é um dom raro e precioso. Poucos são aqueles capazes de subestimar um sofrimento transformando em algo prazeiroso, e poucos são aqueles que conseguem usufruir desse recurso.

Depois desse adendo explicativo, é IMPERDÍVEL ver Carol Zoccoli e Andrea Barreto (do Humor de Salto Alto), duas excelentes neuróticas humoristas, dirigidas pela diva do Humor, Nany People, contando suas visões sobre o processo terapêutico e suas peculiaridades hilárias. Lembrando que fazer Humor e de qualidade, como bem lembrou Freud, é para poucos.


1 Comentário até o momento
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Aaaaaaaaaaaaaaah eu queria tanto poder assistir! Mas como já disse: to longe de poder :S Vou voltar pras capivaras uu’ hahahahahahaha

Comentário por Camila Chama




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